Retorno ao Quarto Poder |
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Domingo, Setembro 04, 2005
Por Lisa Alves
Não acreditem em nós & não acreditem em vós.
Se conseguimos no meio de uma peste de manchetes publicitárias nos manter intactos do poder mimético. Ainda assim somos fracos. Se nos deparamos com verdades pregadas por Homens que desfilam barganhados de condecorações e mesmo assim nos damos ao luxo de em nada acreditar. Ainda assim somos fracos. Se resistimos bravamente a cultura nacional e negamos qualquer bairrismo ou postura partidária. Ainda assim somos fracos. Se utilizamos o objetivismo e a impessoalidade como ponto de partida para entender um acontecimento. Ainda assim somos fracos. Se defendemos a liberdade do povo de fazer escolhas e apenas mostramos os lados de onde se pode tirar uma verdade. Ainda assim somos fracos. Por trás de todas as nossas decisões libertarias existe uma regra que não foge a coerção. Para ser justo não basta apenas seguir uma regra ética. Uma história não pode ser dividida apenas por dois lados. Não existe apenas o lado A e o lado B, temos que partir do pressuposto de que entre o principio e o fim de uma história existem vários pontos a serem analisados. O comunicador social deve agir como um arqueologo que estuda cada particula de um objeto achado. Para se comunicar é necessário ter certeza da veracidade de cada sílaba proferida, ou isso ou não se comunica. No entanto, o comunicador social não é um triador que separa matéria verdadeira da matéria mentirosa. Antes disso ele é um cidadão, teve uma base familiar, tem preferências e subconscientemente é partidário de algo, tanto é que quando escolheu sua profissão teve que fazer uma escolha. Ele é fraco e é humano. É recomendável que a sociedade se proteja todos os dias dos meios de comunicação, é recomendável que a própria sociedade se torne sentinela de si. Sexta-feira, Setembro 02, 2005
DA CONCEPÇÃO ARTÍSTICA.
(O SEguinte artigo é parte do terceiro capítulo do MAnifesto Potencialista)
´´Por quê escrevo? Escrevo por todos aqueles que não podem ler!´´ Eduardo Galeano Arte é por excelência a manifestação original do pensamento humano. Algo que simplesmente não poderia existir sem a assimilação de idéias e a propriedade elevada de raciocínio, recursos comuns à criatura que detêm o cérebro mais complexo da cadeia alimentar. Não se sabe de outro ser vivo na Terra que produza Arte. Alguns tentaram afirmar em certo período que a política e a organização social fazia de nós os seres únicos deste planeta. Isso não é certo. Política é a herança que levamos dos primatas evoluídos, dos machos-alfas. A política, ao contrário da Arte, é um estágio a ser superado. Ainda teremos de nos livrar de toda manifestação do Estado antes de prosseguirmos na dança da evolução, antes da chegada do além-do-homem. Enquanto perdurarem os governos, a sociedade estará aquém-do-homem. Na Arte encontramos um aspecto único na relação pensamento-comportamento. É algo que chega a contrariar os princípios formulados por Darwin em sua esplêndida Teoria da Evolução das Espécies, pois podemos entender o que levou o Homem a desenvolver ferramentas: a necessidade e a superação de esforços físicos. Podemos entender até o porquê da invenção de um cesto, que armazenaria frutos e serviria para transportá-los. Porém é complicado compreender os fatores que levaram o Homem, por exemplo, a ornamentar um cesto com pinturas ou com qualquer artifício que fuja do princípio da pura necessidade. Do ponto de vista da competição dos seres vivos, a Arte é algo que não tem utilidade. Portanto a Arte é ímpar. Se num dia alguém produz um texto poderemos considerar isto como uma manifestação artística? Talvez. Primeiramente algumas perguntas devem ser respondidas. O texto foi produzido em função de algum trabalho? O texto buscava cumprir necessidades acadêmicas? O texto foi elaborado para impressionar uma possível namorada? O texto visava recompensa financeira? Ainda que a resposta para todas questões acima seja um sintomático sim, o texto elaborado poderá ser uma obra-prima. Não devemos crer que a Arte seja uma espécie de iluminação de caráter paranormal, que acomete inadvertidamente um certo indivíduo, conduzindo-o à criação desenfreada. Isso não é verdade. É ingênuo. Para a Arte existem tantos caminhos que qualquer tentativa de elaboração de regra, traria um igual ? ou talvez maior ? número de exceções, o que invalidaria qualquer definição. Embora saibamos que Arte pode nascer inusitadamente de relações tão insuspeitas quanto o trabalho ou um namoro romântico, talvez seja correto afirmar que a Arte ainda assim não necessitaria de tais eventos para existir. Se uma pessoa inicia sua produção literária como resposta à morte de um ente querido, por exemplo, não devemos crer que a habilidade com as palavras nasceu nesta pessoa em conseqüência da dor. É infinitamente mais provável que o trauma da morte tenha simplesmente despertado um talento até então latente. Este talento é, em maior ou menor escala, comum aos seres humanos, trata-se de uma faceta da Potência e a Potência vale-se de situações de desequilíbrio e Assombro para despertar revelada em Vontade. A Arte não se cala nunca e busca constantemente maneiras de abandonar o deliriuum, passando ao mundo material. Por isso se pode afirmar que embora por vezes a Arte necessite de uma desculpa por parte do artista (?Ah... eu faço isso por dinheiro!?), por parte da Arte nenhuma desculpa é aceita além da Vontade de Criação. A Arte é de tal forma soberba, que continuaria a existir ainda que houvesse a possibilidade de por ninguém ser contemplada. Não são raros os exemplos de pinturas, esculturas ou romances esplêndidos descobertos somente muitos anos após a morte de seus artífices. Arte pode existir mesmo no silêncio, mas não devemos permitir que a Arte aceite o silêncio ou que, ainda pior, morra no silêncio. Igualmente, sabemos que a Arte pode nascer das condições mais adversas. A Arte é filha das pressões e dos extremos, do Assombro, a Arte habita o horizonte das possibilidades. Das prisões siberianas aos exílios insolúveis, a Arte sobrevive e faz sobreviver. Ainda que haja combates, desespero, fome, ainda que haja morte em escalas epidêmicas, apesar dos pesares, doa a quem doer, no amor e na guerra, haverá Arte. Na solidão do abandono é que nasce o artista. Em verdade dizemos que no Movimento Potencialista muitos foram abandonados, negligenciados, distanciados do convívio social e até taxados como elementos estranhos. Foi na exclusão que descobrimos algumas das impressões distorcidas do mundo e concebemos a verdade de que é possível sobreviver à vida social que nos promove o Sistema, pois outra vida é possível. Desprezaram-nos por não saberem das armas que poderíamos desenvolver e da espécie de consciência que iríamos adquirir. Agora estamos de volta não para reclamar um lugar no Sistema, mas para aniquilar definitivamente o Sistema vigente. Não aceitaremos desculpas da aristocracia ou falsas promessas de inclusão. Desprezaremos quaisquer ideologias que não comportarem as profundas dualidades do Homem. A única grande ideologia chama-se Liberdade e para defender este princípio qualquer sacrifício é válido. O Potencialismo prega intimidade com a Arte e, tal como no Surrealismo, a Arte para nós não é uma coisa séria, dogmática, pós-moderna. A Arte é dança de ciranda e também valsa de Mefistófeles. Defendemos que o autor é de somenos importância: a criação é que nos interessa; é a criação que nos transcende, a origem das coisas é um detalhe no histórico das mesmas que não as tornam mais ou menos interessantes. Não queremos sugerir valores exorbitantes à Arte porque a Arte simplesmente não é atacado e varejo. A Arte não se pesa, não se mede, não se quantifica e por extensão não se determina o valor. Atribuímos à nobreza, ao clero e à burguesia o título de primeiros comerciantes da Arte, os inventores da propriedade intelectual. É no mínimo curioso que as forças reacionárias adquiram um princípio essencialmente de oposição, como é a Arte. Pois a Arte é uma entidade de utilidade pública, em prol da transformação e da evolução de valores. A Arte denuncia a corrupção da sociedade e incita o indivíduo a questionar. ?Mas se não podemos vencê-los, juntemo-nos a eles!? É precisamente o que a nobreza, o clero e a burguesia efetivaram. Sabemos que os ricos são os que têm acesso à Arte com facilidade, são os ricos que freqüentam galerias, compram quadros e os expõe soberbamente nas paredes de seus palácios requintados. Sobretudo num país como o Brasil, dificilmente quem ganha um salário mínimo se dispõem a consumir 20% deste ordenado com um livro. É uma triste constatação, mas pequena minoria da população tem contato com a Arte. Já que a Arte é uma energia de transformação, já que a Arte incita revoluções, já que a Arte denuncia a decadência... As forças reacionárias acharam por bem controlar a Arte para que ela não caísse em mãos erradas. Cabe a todos nós reclamar o direito que temos à Arte! A Arte é a existência de um sonho físico. O Belo Assombro! O Potencialismo anuncia que Morfeus está inspirado. [::..Uma parte de mim..::] | :: Quem é Lisa Alves? |
:: Sou estudante de jornalismo, tenho 23 anos e adquiri um estranho hábito de transformar minhas idéias em textos. Não concordo com a posição mercadológica aplicada à mídia atual. E creio que o jornalismo poderá sofrer uma mutação em seu perfil e assumir o papel de guardião do povo. No entanto isso só acontecerá se os próprios jornalistas e a sociedade lutarem por isso. |
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