Retorno ao Quarto Poder |
||||||||||||
Sexta-feira, Agosto 26, 2005
INDICAÇÃO DE LIVRO
A MODERNIZAÇÃO DA IMPRENSA (1970-2000). por Lisa Alves Século XX, grandes transformações modificaram a atividade jornalística e mudaram completamente o perfil do profissional da imprensa. É sobre essas modificações que a autora Alzira Alves de Abreu se propôs a discutir. A autora faz o leitor voltar sua atenção para os anos anteriores à década de 50 quando a imprensa dependia dos favores do Estado, de anúncios populares e dos famosos classificados. Também o faz lembrar do rápido aceleramento evolutivo da imprensa que ocorreu no final dessa década quando surgiu as primeiras grandes agências de publicidade que vieram para somar ao jornalismo dentro do rádio, da televisão e da imprensa escrita, o que proporcionou aos jornais uma independência do poder publico. Nesta mesma década surgiram grandes jornais que significaram muito para modernização do jornalismo brasileiro. Alguns jornais que atuavam desde o início da República apenas se reformaram. A autora cita nomes de jornais tais como Última Hora, criado em 1951, com o financiamento do governo. O Diário Carioca, que era o mais antigo e que em 1951 inovou seu estilo introduzindo o tão usado Lead. O Jornal do Brasil, que obteve durante muitos anos uma fama de ¿boletim de anúncios¿ e iniciou sua reforma com a criação do SDJB (um jornal que recebia a colaboração de poetas, escritores, artistas plásticos e de todos aqueles que eram ligados ao movimento concretista). No entanto o que mais marcou o jornalismo da década de 50, de acordo com autora, foi a paixão política, apesar que a linguagem política daquela época era pouco objetiva. De repente ouve uma substituição de um jornalismo que até então foi fortemente influenciado pelo modelo francês por um jornalismo que privilegiava a informação e a noticia, separava o comentário pessoal da transmissão objetiva. Este jornalismo também não passava de um outro modelo, que apesar de não ser europeu era estadunidense e até mesmo no nosso jornalismo ¿Tio Sam¿ deu as caras. É interessante destacar a parte do livro que autora mostra como a imprensa se tornou uma marionete nas mãos dos militares na década de 60. Primeiramente o ¿perigo comunista¿ fez com que empresários da imprensa abdicassem de suas crenças na liberdade individual e aceitassem a centralização do poder nas mãos dos militares e como já disse um velho poeta ¿a mão que afaga é a mesma que apedreja¿ foi inevitável um período de repressão por parte destes que começaram a mandar e desmandar em nosso país. Censura, restrições à liberdade de expressão, perseguições dirigidas à antigos lideres políticos, sindicais e intelectuais, foram as conseqüências do regime militar. Não obstante, ao mesmo tempo que a imprensa sofria censura também se beneficiava em outros setores. Praticamente toda a modernização dos meios de comunicação da imprensa brasileira foi financiada pelos governos militares. Obviamente isto não passou de uma estratégia militarista para obter um maior controle da massa. Exemplo dado pela autora foi a criação da Embratel e o Ministério das Comunicações no ano de 1965 e a criação da Telebrás em 1972. Coincidentemente neste mesmo ano de 1972 a televisão se tornou um veículo de massa, embora a chamada ¿era da Televisão¿ no Brasil tenha se acometido em 1950. Mesmo com a criação da TV Tupi de São Paulo, a televisão ainda atingia um público muito restrito, em 1955 foi criada a TV Rio, e logo em seguida surgiram outras emissoras. Mas quem alterou mesmo o padrão da televisão brasileira foi a TV Globo que entrou no mercado em 1965. A grande concentração do meios de comunicação contribuiu para o desaparecimento de vários jornais que haviam sido criados entre o início do século e a década de 1940. Casos como Diário Carioca (1928-1965), Correio da Manhã (1901-1974), O Jornal (1919-1974) e Diário de Notícias (1930-1976) outros como a Última Hora, entraram em decadência. Já a ¿imprensa alternativa¿ mesmo na fase mais forte da repressão militar conseguiu grande sucesso. Dentre vários O Pasquim foi um dos jornais alternativos de maior circulação nacional, com tiragens de mais de 100 mil exemplares. No livro é também contado o surgimento do jornalismo econômico que cresceu muito numa fase que era usado para substituir o jornalismo político. Pois para os militares, como as editorias de economia tinham um publico especifico e os dados eram fornecidos por agências oficiais, o risco era menor. Atualmente pode-se verificar o aumento de paginas dos cadernos dedicados à economia. Sem falar no jornalista que hoje se especializa na área. Outro assunto interessante foi a Liberalização da imprensa pelo governo do general Ernesto Geisel que em nome de sua ¿obra revolucionária¿ permitiu a livre manifestação do eleitorado e da imprensa. Além de breves passagens pela história da imprensa brasileira, a autora se aprofunda mais ainda provando que a tecnologia, mesmo vinda por meios contrários ao ¿idealismo jornalistico¿ de servidor de agente informativo do povo, foi uma ferramenta indispensável para a modernização dos meios de comunicação. Inclusive a profissionalização dos jornalistas, feita nas faculdades é uma das conseqüências da modernização. O papel de mediador, de sentinela, o sentindo de ética na profissão, os fóruns também são fatores dessa modernização. Hoje também temos uma nova mídia que é a Internet e mais uma vez os nossos jornalistas tentam se adaptar a mais essa nova tecnologia que faz do jornalismo escrito um jornalismo em tempo real. Como disse a autora ¿ uma nova etapa acaba de começar¿. Quarta-feira, Agosto 03, 2005
Arquivo::: Quinta-feira, Setembro 30, 2004 :: Metamorfose de Monstros O Avião Fantasma Falta a palavra inicial para dar vida a algo que insiste em nascer. Espero com os olhos fechados o sopro no ouvido ou o resgate de uma inspiração causada pelos alucinógenos. Olho para o relógio, olho para as paredes, olho para a janela e não há nada que me oferte a palavra inicial. São quatro horas e vinte quatro minutos. Olho para o telefone e sinto vontade de tira-lo do gancho, só que a vontade e a ação se desentendem e minha mão continua ocupada tentando violar o espaço que separa os meus dedos da velha máquina de escrever. Ouço um caminhar no teto, não é um invasor, é apenas a vizinha do 222 que está com insônia. Lá fora não há barulho e nem mesmo silêncio, no entanto a algo indefinido que atrapalha o sono de todos. Brasília é realmente um lugar estranho: as pessoas não vivem aqui, apenas povoam. Não há gatos e nem cachorros correndo soltos pelas ruas e nem beijos de namorados nos portões. Por aqui não há portões, só grades e porteiros treinados para desejarem uma boa noite para todos. Quinze para as cinco da manhã e consigo sentir toda a matéria do tempo me tocando. Os ponteiros do relógio emitem sons que ousam revelar o nome da palavra inicial e meus ouvidos tentam decifrar a dicção mecânica daquele tic tac. Talvez a palavra tenha relação com silêncio ritmado, pois entre o tic e o tac há uma ausência constante de som. Ainda assim observo atentamente cada respiração acidental dos objetos do quarto, pois sei que as respostas se encontram no improvável ou naquilo que sempre foi o que é. Suspeito apenas de que Brasília continuará sendo Brasília por longos anos e talvez a única mudança que possa acontecer seja uma variação em suas funções. Todas as madrugadas são iguais: onde há Plano tem insônia e tédio, onde há Satélite tem medo e homicídio. Lisa Alves [::..Uma parte de mim..::] | :: Quem é Lisa Alves? |
:: Sou estudante de jornalismo, tenho 23 anos e adquiri um estranho hábito de transformar minhas idéias em textos. Não concordo com a posição mercadológica aplicada à mídia atual. E creio que o jornalismo poderá sofrer uma mutação em seu perfil e assumir o papel de guardião do povo. No entanto isso só acontecerá se os próprios jornalistas e a sociedade lutarem por isso. |
[::..Eu recomendo..::] | :: Eu recomendo |
:: Mídia Independente |
:: Monitor de Mídia |
:: Nós Media |
:: Stalingrado |
:: O Nada |
:: Metamorfose de Monstros |
:: O Perdigueiro |
|